Index
A sarna em cachorro é uma doença de pele causada por ácaros microscópicos que provocam coceira intensa, lesões cutâneas e queda de pelo. Embora seja uma condição comum na clínica veterinária, sua gravidade varia conforme o tipo e o estágio da infestação.
Algumas formas, como a sarna sarcóptica, podem inclusive ser transmitidas aos humanos, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Cada tipo de sarna canina possui características clínicas distintas e demanda abordagens específicas. Por isso, observar os primeiros sinais e procurar orientação veterinária qualificada é essencial para aliviar o sofrimento do pet, interromper a progressão da doença e proteger a saúde de todos ao redor.
O que é sarna em cachorro?

A sarna em cachorro é uma enfermidade dermatológica causada por diferentes espécies de ácaros, que podem viver na superfície ou sob a pele dos cães. Esses parasitas microscópicos desencadeiam inflamações, coceira intensa e lesões cutâneas visíveis, afetando significativamente o bem-estar do animal.
Além do desconforto físico, a sarna pode comprometer o sistema imunológico, favorecer infecções secundárias e gerar queda acentuada de pelos, muitas vezes levando a alterações comportamentais devido ao estresse constante.
A transmissão da sarna em cachorro pode ocorrer pelo contato direto com animais infectados ou por meio de objetos e ambientes contaminados, já que alguns ácaros sobrevivem fora do hospedeiro por dias. Por isso, a doença exige diagnóstico precoce e tratamento imediato, não apenas para aliviar os sintomas, mas também para evitar a disseminação entre outros cães da mesma casa ou até mesmo para humanos em casos de sarna sarcóptica, considerada uma zoonose.
Quais são os tipos de sarna em cachorro e como identificá-los?
Os tipos de sarna em cachorro variam conforme o ácaro causador, localização no corpo e sintomas característicos. Entender essas diferenças é fundamental para o diagnóstico correto e tratamento adequado desta condição dermatológica tão comum nos pets.
Sarna sarcóptica (escabiose)
A Sarna sarcóptica, também conhecida como escabiose canina, é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade canis, que pertence à família Sarcoptidae (ácaros escavadores). Este microscópico parasita escava túneis na camada superficial da pele do animal, onde a fêmea deposita seus ovos durante dias após a cópula.
A fêmea do Sarcoptes scabiei pode liberar de 2 a 3 ovos por dia, totalizando entre 40 a 50 ovos ao longo de toda sua vida. Diferentemente de outros tipos, a sarna sarcóptica é altamente contagiosa, podendo ser transmitida tanto pelo contato direto entre animais quanto por objetos contaminados.
O ácaro pode sobreviver no ambiente por até 48 horas. Esta variedade tem predileção por áreas com pelos mais esparsos, como:
- Orelhas;
- Focinho;
- Cabeça;
- Pescoço;
- Membros.
Algumas formas, como a sarna sarcóptica, podem inclusive ser transmitidas aos humanos, caracterizando-se como uma zoonose de relevância mundial. Segundo um estudo publicado no PubMed Central, a escabiose canina pode causar infestações transitórias em pessoas que convivem diretamente com animais infectados, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Sarna demodécica (sarna negra)
A sarna demodécica, popularmente conhecida como sarna negra, é causada pelo Demodex canis. Diferentemente de outros ácaros, esse parasita já faz parte da flora normal da pele dos cães, habitando os folículos pilosos e glândulas sebáceas desde os primeiros dias de vida.
O problema ocorre quando há uma proliferação descontrolada do Demodex canis, geralmente desencadeada por fatores como baixa imunidade, estresse, desnutrição, doenças crônicas ou predisposição genética. Um estudo publicado em PubMed (Wiley Online Library), detalha como o Demodex canis interage com receptores imunológicos (TLRs), modulando a resposta do organismo e facilitando a instalação da sarna demodécica em cães predispostos.
Um ponto importante é que a sarna demodécica não é contagiosa entre animais adultos. A transmissão ocorre apenas da mãe para os filhotes, durante os primeiros dias de vida, por contato direto.
Sarna otodécica (sarna de ouvido)
A sarna otodécica, ou sarna de ouvido, é causada pelo ácaro Otodectes cynotis, que se aloja exclusivamente no conduto auditivo dos animais. Diferente da sarna sarcóptica, esse ácaro não escava a pele, mas permanece na superfície do canal auditivo, alimentando-se de cerúmen, células mortas, linfa e pequenas quantidades de sangue.
A infestação provoca coceira intensa, inflamação e formação de uma secreção escura, espessa e com odor forte, semelhante à borra de café. Em casos mais avançados, o cão pode balançar excessivamente a cabeça e se ferir ao coçar, levando a complicações como otohematomas ou infecções secundárias.
O Otodectes cynotis é um dos poucos ácaros visíveis a olho nu, podendo ser identificado como pequenos pontos brancos em movimento no interior da orelha. A transmissão ocorre por contato direto com animais infectados ou pelo compartilhamento de objetos contaminados.
Principais sintomas de sarna em cachorro

Identificar os sintomas de sarna em cachorro logo nas primeiras manifestações é essencial para garantir um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz. Os sinais clínicos podem variar conforme o tipo de sarna, a resposta imunológica do animal e a área do corpo afetada. Observar mudanças no comportamento e no estado da pele é o primeiro passo para reconhecer a doença e agir rapidamente.
Coceira intensa e queda de pelo
A coceira persistente é um dos sintomas mais evidentes da sarna em cachorro, especialmente na forma sarcóptica, em que o prurido costuma ser mais intenso durante a noite. Regiões como o tórax, abdômen, cotovelos e bordas das orelhas tendem a ser as primeiras afetadas.
A queda de pelo (alopecia canina) também é um sinal recorrente, podendo surgir de forma localizada ou generalizada, a depender do tipo de ácaro e da extensão da infestação. No caso da sarna demodécica, a coceira geralmente só aparece quando há infecções bacterianas secundárias porém, a perda de pelos é constante e marcante desde os estágios iniciais.
Além das alterações na pele, o comportamento do animal pode mudar visivelmente. Cães com sarna tendem a apresentar:
- Agitação ou inquietação constante;
- Perda de apetite;
- Afastamento social ou desconforto ao ser tocado;
- Perda de peso progressiva.
Observar mudanças no comportamento e no estado da pele é o primeiro passo para reconhecer a sarna em cachorro e agir rapidamente.
Feridas, crostas e vermelhidão
Quando a sarna em cachorro não é tratada de forma adequada, as lesões cutâneas evoluem com rapidez. Inicialmente, surgem pápulas avermelhadas que progridem para áreas inflamadas com crostas amareladas, descamação intensa e, em casos crônicos, escurecimento da pele.
A vermelhidão (eritema) é comum, assim como o surgimento de feridas causadas pela coceira constante. Essas escoriações abrem portas para infecções secundárias, especialmente na sarna demodécica, onde a pele se torna oleosa, áspera e com odor desagradável devido à ação de bactérias oportunistas.
Sinais específicos da sarna otodécica
A sarna otodécica, que afeta o canal auditivo, possui sintomas bastante específicos. A coceira intensa na região das orelhas leva o animal a sacudir a cabeça com frequência e a se coçar de forma insistente.
Um sinal típico é o acúmulo de cerúmen escuro, com aparência semelhante à borra de café, acompanhado por odor forte e desagradável. Em quadros mais avançados, a fricção constante pode causar feridas auriculares, favorecendo quadros de otite canina e inflamações. Em situações extremas, pode ocorrer otohematoma, caracterizado pelo acúmulo de líquido entre a cartilagem e a pele da orelha.
Diagnóstico e exames para sarna em cachorro

Para um diagnóstico correto de sarna em cachorro, é fundamental contar com exames específicos realizados por médicos veterinários especializados. Diferentemente de outras condições, a identificação precisa da sarna não pode ser feita apenas baseando-se nos sintomas visuais, pois várias doenças dermatológicas apresentam manifestações muito semelhantes.
É muito importante ficar atento aos sinais que seu pet apresenta, mas o diagnóstico definitivo só é possível através de exames laboratoriais adequados realizados em laboratórios veterinários especializados.
Importância do exame de raspado de pele
A pesquisa de ectoparasitas (raspado de pele) é o exame mais utilizado para diagnosticar a sarna em cachorro. Este procedimento permite a visualização direta dos ácaros ao microscópio, confirmando sua presença e identificando exatamente qual espécie está causando o problema no seu animal.
Durante o procedimento, o veterinário utiliza uma lâmina para coletar amostras da pele afetada do animal, que posteriormente são analisadas em laboratório veterinário especializado.
Para maior eficácia do exame, é importante que o cachorro não tenha tomado banho por pelo menos 7 dias e não esteja fazendo uso de medicações tópicas ou orais. A técnica de coleta varia conforme a suspeita clínica: raspados superficiais para Sarcoptes scabiei e profundos para Demodex canis.
Exame de perfil dermatológico
Em casos mais complexos ou quando o raspado de pele não é conclusivo, o exame de perfil dermatológico para cachorro torna-se necessário. Este exame é mais abrangente e pode identificar fungos, cistos, dermatites atópica e outras condições além da sarna.
O perfil dermatológico inclui:
- Bacterioscopia;
- Pesquisa de ácaros;
- Pesquisa de fungos.
Na Gold Lab Vet, com unidades na Zona Leste (Tatuapé) e Zona Sul (Jabaquara) de São Paulo, é possível realizar exames laboratoriais completos e exames de imagem veterinários com precisão.
Esses recursos são fundamentais para confirmar o diagnóstico da sarna em cachorro, diferenciá-la de outras doenças dermatológicas e garantir que o tratamento seja iniciado de forma rápida e eficaz.
A importância do dermatologista veterinário no diagnóstico
O dermatologista veterinário desempenha um papel essencial no diagnóstico da sarna em cachorro, especialmente por se tratar de uma condição com múltiplas apresentações clínicas e grande semelhança com outras doenças como dermatite canina .
Esse profissional possui qualificação específica para reconhecer os diferentes tipos de sarna, observar detalhes clínicos que muitas vezes passam despercebidos e solicitar os exames mais adequados para cada caso.
Com conhecimento aprofundado sobre a fisiologia da pele e o comportamento dos ácaros, o dermatologista é capaz de interpretar os resultados laboratoriais com precisão e segurança, estabelecendo um diagnóstico definitivo.
Na Gold Lab Vet, você encontra dermatologistas veterinários altamente capacitados, preparados para oferecer um atendimento personalizado e preciso, com o suporte de exames laboratoriais avançados e tecnologia de ponta.
Se o seu cão apresenta sinais de coceira intensa, queda de pelo ou lesões na pele, não espere os sintomas se agravarem. Agende uma consulta com nossos especialistas e proporcione ao seu pet um diagnóstico seguro e um plano de tratamento eficaz, com todo o cuidado que ele merece.
Tratamento e cuidado de sarna em cachorro

O tratamento eficaz de sarna em cachorro requer uma abordagem cuidadosa e sempre sob orientação de um médico veterinário especializado. A terapia adequada não apenas elimina os ácaros, mas também previne recidivas e complicações que podem afetar a qualidade de vida do seu pet.
Medicamentos tópicos e orais
O tratamento de sarna em cachorro geralmente envolve acaricidas específicos da classe das isoxazolinas, que apresentam alta eficácia e segurança no combate aos ácaros. As lactonas macrocíticas também são opções terapêuticas, porém exigem cautela em raças com mutação do gene MDR1, como Border Collie e Pastor de Shetland.
Antibióticos sistêmicos podem ser necessários para combater infecções secundárias que frequentemente acompanham os casos de sarna.
Banhos terapêuticos e alívio da coceira
Os banhos medicinais representam um componente essencial no tratamento, utilizando shampoos e sabonetes específicos prescritos pelo veterinário. Em casos de sarna sarcóptica, banhos com produtos à base de enxofre podem ser recomendados semanalmente por 4 a 6 semanas.
Durante o banho terapêutico:
- Use sempre água morna para não agravar a irritação da pele;
- Manipule a pele com delicadeza, evitando esfregar áreas já sensibilizadas;
- Siga rigorosamente as orientações do veterinário quanto à frequência.
O controle da coceira pode envolver medicamentos específicos por períodos curtos, geralmente entre 5 a 7 dias, para proporcionar alívio ao animal durante o tratamento.
Cuidados com o ambiente e outros pets
Os ácaros podem sobreviver no ambiente por até 21 dias, tornando a limpeza fundamental para o sucesso do tratamento. Use desinfetantes à base de hipoclorito de sódio ou vaporização com calor para eliminar os parasitas de superfícies como sofás, tapetes e mantas.
Recomendações importantes para o ambiente:
- Mantenha o animal infectado isolado dos demais pets;
- Trate todos os animais que tiveram contato, mesmo os assintomáticos;
- Exponha os itens ao sol sempre que possível, pois os ácaros são termolábeis.
Convivência familiar durante o tratamento
Além dos cuidados com o ambiente, é importante considerar o impacto da sarna em cachorro na rotina da família. Animais infectados costumam apresentar irritabilidade, coceira constante e até mudanças de comportamento, o que pode dificultar a convivência com crianças ou outros pets.
No caso da sarna sarcóptica, o risco de transmissão para humanos exige atenção redobrada à higiene pessoal, ao uso de roupas de cama e ao contato direto.
Orientar todos os membros da família sobre os cuidados básicos, como lavar as mãos após interagir com o cão e evitar compartilhar objetos, ajuda a reduzir riscos e contribui para uma recuperação mais tranquila e segura.
Prevenção e o reforço imunológico da sarna em cachorro
A prevenção da sarna em cachorro também desempenha um papel fundamental na redução de novos surtos especialmente nos casos de sarna demodécica, que pode se manifestar com maior frequência em animais com baixa imunidade.
Manter o sistema imunológico do pet fortalecido é uma das estratégias mais eficazes para evitar a proliferação excessiva de ácaros naturalmente presentes na pele. Isso inclui oferecer uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes, garantir a vacinação em dia, manter o controle de verminoses e realizar visitas periódicas ao veterinário para check-ups gerais.
O controle do estresse também influencia diretamente a saúde da pele. Mudanças bruscas de ambiente, introdução de novos animais, excesso de barulho ou abandono prolongado podem desencadear desequilíbrios hormonais que afetam a imunidade do cão, favorecendo a manifestação de quadros dermatológicos.
Além disso, a higiene do ambiente e dos utensílios usados pelo pet como caminhas, mantas, brinquedos e escovas deve ser parte da rotina.
Dúvidas frequentes sobre sarna em cachorro
A sarna em cachorro costuma gerar muitas dúvidas entre tutores, principalmente quando os primeiros sinais passam despercebidos ou se confundem com outras doenças de pele. Saber identificar os sintomas, compreender os riscos e agir com rapidez são atitudes essenciais para garantir a saúde e o conforto do seu pet.
Que exame é utilizado para diagnosticar a sarna em cachorro?
O diagnóstico definitivo é feito através do exame parasitológico de pele, conhecido como raspado cutâneo. Este exame permite visualizar microscopicamente os ácaros ou seus ovos em amostras coletadas das áreas afetadas da pele do animal.
Quais são os principais tipos de sarna que afetam os cães?
Existem três tipos principais de sarna em cães: a sarna demodécica (causada pelo ácaro Demodex canis), a sarna sarcóptica (causada pelo Sarcoptes scabiei) e a sarna otodécica (causada pelo Otodectes cynotis). Cada tipo tem características e tratamentos específicos.
Como tratar a sarna em cachorro de forma eficaz?
O tratamento eficaz da sarna envolve o uso de medicamentos acaricidas prescritos por um veterinário, como ivermectina ou produtos da classe isoxazolina. Além disso, banhos com shampoos específicos podem ajudar a eliminar os ácaros e aliviar a coceira. É importante seguir as orientações do veterinário e manter o tratamento pelo tempo recomendado.
Quais são os sintomas mais comuns da sarna em cães?
Os sintomas mais comuns incluem coceira intensa, queda de pelo, lesões na pele como vermelhidão e crostas, e alterações no comportamento do animal devido ao desconforto. Na sarna otodécica, pode haver acúmulo de secreção escura nas orelhas e sacudir frequente da cabeça.
A sarna em cachorro é contagiosa para humanos?
A sarna sarcóptica é a única forma de sarna canina que pode ser transmitida para humanos, sendo considerada uma zoonose. No entanto, a infestação em humanos é geralmente transitória e dura cerca de 4 semanas, pois o ácaro não consegue se reproduzir na pele humana. As outras formas de sarna canina não são transmissíveis para humanos.
Consideração finais sobre sarna em cachorro
A sarna em cachorro é uma condição séria que exige atenção imediata dos tutores e cuidado veterinário especializado. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para controlar os sintomas, evitar agravamentos e promover uma recuperação mais rápida.
Observar sinais como coceira intensa, queda de pelo e lesões na pele é essencial. Ao identificar qualquer alteração, procure um veterinário de confiança para avaliação e início do tratamento adequado.
Manter a higiene do ambiente, seguir corretamente as orientações médicas e realizar exames periódicos são passos importantes para garantir a saúde da pele e o bem-estar do seu pet.
Com atenção contínua e cuidados adequados, é possível controlar a sarna canina com segurança e preservar a qualidade de vida do seu cachorro.







