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A sarna em gatos não deve ser encarada apenas como um problema de pele passageiro. Trata-se de uma condição parasitária que pode comprometer seriamente o bem-estar do felino, causando desconforto intenso e, em alguns casos, trazendo riscos de transmissão para outros animais e até mesmo para humanos.
Quando a sarna em gatos não é diagnosticada e tratada a tempo, a presença dos ácaros responsáveis pela sarna pode desencadear sintomas cada vez mais graves, como coceira persistente, queda de pelos, crostas espessas e lesões dolorosas que afetam a qualidade de vida do animal.
Os gatos mais vulneráveis são os filhotes e aqueles com imunidade enfraquecida, mas nenhum felino está totalmente livre da doença. Além disso, variações como a sarna notoédrica e a sarcóptica apresentam alto grau de contagiosidade, exigindo cuidados rigorosos tanto com o pet quanto com o ambiente.
Compreender as causas, identificar os sintomas iniciais e buscar o diagnóstico correto são passos fundamentais para garantir que seu gato receba o tratamento adequado e recupere sua saúde com segurança.
O que é sarna em gatos?

A sarna em gatos é uma dermatopatia parasitária causada por diferentes tipos de ácaros microscópicos que se alojam na pele do animal. Esses pequenos parasitas externos são responsáveis por desencadear uma série de sintomas incômodos que afetam a qualidade de vida do felino.
Diferentemente de outras doenças de pele, a sarna possui características específicas dependendo do tipo de ácaro envolvido.
Como os ácaros causam a sarna em gatos?
Os ácaros da sarna em gatos atuam de maneira invasiva na pele do animal. Esses parasitas produzem enzimas que degradam as proteínas da pele, principalmente a queratina. À medida que invadem a epiderme, eles escavam túneis lineares onde depositam seus ovos e excretam fezes. Esse processo causa uma reação alérgica intensa, pois o sistema imunológico do gato reage contra o próprio ácaro, seus ovos e excrementos.
O ciclo completo desses parasitas dura aproximadamente de 14 a 21 dias, dependendo das condições ambientais. Após a cópula na superfície da pele, a fêmea cria galerias onde deposita seus ovos, que eclodem entre 3 a 10 dias.
As larvas passam por estágios de desenvolvimento até se tornarem ácaros adultos, que vivem cerca de 3 a 4 semanas. Durante todo esse processo, o felino sofre com os sintomas provocados pela infestação.
Por que a sarna é comum em felinos?
A sarna em gatos é um problema frequente por diversos fatores. Os felinos de todas as idades podem ser acometidos, mas os filhotes e animais com imunidade comprometida são particularmente vulneráveis. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com outros animais infectados, sendo mais comum em abrigos ou locais com aglomeração de gatos.
Além disso, algumas espécies de ácaros conseguem sobreviver por dias fora do hospedeiro, fazendo com que objetos contaminados como camas, brinquedos e panos também sejam fontes de transmissão. Essa característica aumenta significativamente o risco de contágio, especialmente para gatos que têm acesso à rua ou convivem com outros animais.
No Brasil, estudos regionais conduzido por Rocha et al. (2008), demonstraram alta prevalência de sarnas em felinos. Por exemplo, no Rio Grande do Norte, verificou-se que 69,2% dos felinos analisados apresentavam algum tipo de sarna. Essa estatística evidencia como esse problema é comum na população felina.
Principais tipos de sarna em gatos

Existem diferentes tipos de sarna em gatos, cada uma causada por ácaros específicos que afetam o animal de maneiras distintas. Conhecer as características de cada tipo é fundamental para identificar os sintomas precocemente e buscar o tratamento adequado.
Sarna otodécica (sarna de ouvido)
A sarna otodécica, também conhecida como sarna de ouvido, é a mais comum em gatos com sarna, sendo responsável por aproximadamente 50% dos casos de otite externa na espécie felina. Esta condição é causada pelo ácaro Otodectes cynotis, um parasita extremamente ativo que habita naturalmente os condutos auditivos e a superfície da pele dos felinos.
Este ácaro se alimenta de células epiteliais, linfa e sangue, causando intensa irritação. Ao contrário de outros ácaros, o Otodectes cynotis não escava a pele, porém sua atividade intensa provoca coceira significativa.
Os principais sinais desta condição incluem o gato balançando frequentemente a cabeça, coçando as orelhas e apresentando secreção escura semelhante a grãos de café no canal auditivo. Em casos crônicos, pode ocorrer queda de pelos nas orelhas e até mesmo otohematoma (acúmulo de sangue na cartilagem da orelha).
Sarna notoédrica (escabiose felina)
A sarna notoédrica, ou escabiose felina, é uma afecção específica dos gatos causada pelo ácaro Notoedres cati. Este parasita tem formato globuloso, coloração avermelhada e a característica particular de “cavar” túneis nas camadas mais profundas da pele, provocando intenso prurido e destruição do tecido cutâneo.
Esta variante da sarna em gatos apresenta rápida disseminação e não tem predileção por raça, sexo ou idade. As lesões geralmente começam na cabeça do animal, especialmente nas orelhas e face, mas podem se espalhar para todo o corpo devido ao hábito de autolimpeza dos felinos.
Os sintomas mais comuns incluem alopecia (queda de pelos), lesões eczematosas, crostas espessas de coloração amarelo-acinzentada, pele espessada e enrugada, além de prurido intenso que leva a escoriações e automutilações. Em casos crônicos, os gatos com sarna notoédrica podem apresentar perda de peso, anorexia e depressão.
Sarna demodécica (sarna negra)
A sarna demodécica, também chamada de sarna negra, é relativamente rara nos felinos. Esta condição pode ser causada por três espécies de ácaros: Demodex cati, Demodex gatoi e uma terceira espécie ainda não denominada. Cada tipo apresenta características distintas:
- O D. cati é considerado comensal da pele felina e habita os folículos pilosos, principalmente nas pálpebras, rosto, queixo e pescoço. Causa lesões alopécicas não pruriginosas;
- O D. gatoi vive na camada superficial da pele (estrato córneo) e está associado a quadros pruriginosos. É contagioso e causa alopecia auto-induzida nas áreas de fácil acesso como abdômen e membros.
Esta forma de sarnas em gatos geralmente está associada a condições de imunossupressão, como infecções por FIV e FeLV no caso do D. cati. Entretanto, o D. gatoi pode acometer animais saudáveis e é mais comum em certas regiões geográficas.
Sarna sarcóptica (zoonose)
A sarna sarcóptica, embora menos comum em gatos do que em cães, é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. Este parasita microscópico escava “túneis” na pele do hospedeiro, penetrando profundamente e ocasionando um dos sinais clínicos mais característicos: o espessamento da pele.
Além disso, a sarna sarcóptica representa um risco zoonótico importante, já que pode ser transmitida de gatos para humanos por meio do contato direto com o animal infectado ou com objetos contaminados. A Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, disponibiliza materiais educativos que orientam a população sobre prevenção, higiene e cuidados no convívio com os animais.
Os sintomas incluem coceira intensa, formação de crostas na pele com aspecto de “casca”, vermelhidão e feridas que podem surgir devido ao ato de coçar constantemente.
O diagnóstico preciso de qualquer tipo de sarna em gatos requer avaliação profissional, com exames como raspado de pele, sendo os serviços do Gold Lab Vet essenciais para identificação correta do agente causador.
Sintomas mais comuns da sarna em gatos

Identificar os sintomas da sarna em gatos é fundamental para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Cada tipo de ácaro causador da doença pode provocar sinais clínicos diferentes, mas existem manifestações comuns que podem alertar o tutor sobre a presença desse problema dermatológico.
Coceira intensa e lambedura
O principal sinal que chama a atenção dos tutores de gatos com sarna é a coceira persistente e intensa. Esse prurido ocorre principalmente nas regiões da face e orelhas, locais onde a infestação geralmente começa. O gato afetado coça-se constantemente com as patas traseiras e também tenta aliviar o desconforto mordiscando as áreas afetadas.
Além disso, os felinos manifestam o incômodo através da lambedura excessiva. Por causa da natureza meticulosa dos gatos com sua higiene, esse comportamento de autolimpeza aumenta significativamente quando estão infestados por ácaros.
Queda de pelos localizada ou generalizada
A alopecia (perda de pelos) é outro sintoma característico da sarna em gatos. Dependendo do tipo de ácaro e da evolução da doença, essa perda pode ser localizada em regiões específicas ou generalizada por todo o corpo do animal. Na sarna notoédrica, por exemplo, a queda de pelos começa na cabeça e se espalha progressivamente para outras partes.
No caso da sarna demodécica causada pelo D. gatoi, os gatos apresentam alopecia auto-induzida, especialmente nas áreas de fácil acesso como abdômen, flancos e parte interna das coxas. A perda de pelos também pode ocorrer de forma simétrica quando observamos o animal de cima, um padrão conhecido como “alopecia simétrica”.
Feridas, crostas e vermelhidão
A pele avermelhada (eritema) é um dos primeiros sinais visíveis da reação inflamatória causada pela presença dos ácaros. Logo depois, surgem pequenas elevações na pele (pápulas) que podem evoluir para feridas com crostas.
As crostas, geralmente de coloração amarelada, são mais comuns nas bordas das orelhas e na face nos casos de sarna notoédrica. Na sarna sarcóptica, formam-se crostas com aspecto de “casca” que facilmente sangram quando o gato se coça. Já na sarna otodécica, observa-se um acúmulo de secreção escura semelhante a grãos de café no canal auditivo.
Mudanças de comportamento e apatia
Os gatos com sarna frequentemente apresentam alterações comportamentais devido ao desconforto constante. A inquietação é um sinal comum, com o animal demonstrando dificuldade para relaxar ou dormir tranquilamente. Nos casos mais graves, principalmente quando a infestação está avançada, o gato pode se tornar apático e deprimido.
Os movimentos específicos também podem indicar a presença de sarna, como balançar frequentemente a cabeça no caso da sarna otodécica ou fazer ventroflexão de cabeça e movimentos laterais contínuos da cauda em casos de sarna notoédrica.
Caso você perceba qualquer um desses sintomas, é fundamental consultar o serviço especializado em dermatologia veterinária do Gold Lab Vet para um diagnóstico preciso.
Diagnóstico e exames essenciais para sarna em gatos

Para confirmar a presença da sarna em gatos, o diagnóstico correto é fundamental e exige avaliação profissional. O médico veterinário segue uma metodologia específica que permite identificar com precisão o tipo de ácaro causador da doença.
Importância da consulta com dermatologista veterinário
O diagnóstico adequado da sarna em gatos começa com uma consulta veterinária detalhada. Durante esse atendimento, o profissional analisará o histórico do animal, ambiente onde vive e contato com outros animais. Além disso, realizará um exame físico completo, com especial atenção às lesões cutâneas.
A consulta também é essencial porque muitas doenças de pele apresentam sintomas semelhantes, exigindo diagnóstico diferencial. Entre em contato com a Gold Lab Vet para agendar uma consulta com um dermatologista veterinário especializado!
Exame de raspado de pele para ectoparasitas
O exame de raspado de pele em gatos cutâneo é o método mais utilizado e confiável para diagnosticar sarnas em gatos. A técnica consiste em:
- Raspar a pele com lâmina de bisturi num ângulo de 45° embebida em óleo mineral;
- Coletar material das bordas das lesões, até causar leve sangramento;
- Examinar a amostra em microscópio para identificar a presença dos ácaros.
Este exame é especialmente importante porque, mesmo com sintomas evidentes, apenas a visualização microscópica do ácaro confirma definitivamente o diagnóstico. De acordo com estudo publicado na SciELO Brasil (2019), a escabiose felina causada por Notoedres cati requer confirmação laboratorial por meio da observação direta do ácaro, sendo o raspado de pele a principal alternativa diagnóstica recomendada na literatura especializada.
Perfil dermatológico veterinário
O perfil dermatológico completo inclui bacterioscopia, pesquisa de ácaros e fungos. Este conjunto de exames é realizado a partir de amostras de secreção auricular/cutânea, raspado de pele e pelos/crostas. O Gold Lab Vet oferece esse serviço completo, essencial para diferenciar a sarna de outras dermatopatias como dermatite atópica, foliculite bacteriana e alergia alimentar.
Outros exames complementares
Atualmente, existem métodos alternativos menos invasivos. A técnica da fita de acetato, por exemplo, mostrou 100% de sensibilidade para diagnóstico da sarna notoédrica, sendo tão eficaz quanto o raspado cutâneo. Outros exames incluem citologia, otoscopia (para sarna otodécica) e, em alguns casos, exame de fezes que pode revelar ácaros ingeridos durante a autolimpeza dos gatos com sarna.
Tratamentos e cuidados da sarna em gatos

O tratamento para sarna em gatos requer abordagem veterinária específica para cada tipo de ácaro. Após o diagnóstico correto, é possível iniciar um protocolo eficaz que geralmente combina diferentes métodos para eliminar os parasitas.
Uso de antiparasitários e pomadas
O médico veterinário prescreverá medicamentos antiparasitários adequados ao tipo de sarna em gatos identificado. Por causa do ciclo de vida dos ácaros, os tratamentos precisam durar no mínimo 4 semanas para eliminar completamente todos os parasitas. A aplicação de pipetas nos gatos com sarna aumenta significativamente a taxa de sucesso devido à facilidade de administração.
Banhos com shampoos específicos
Os banhos terapêuticos com shampoos acaricidas são parte importante do tratamento. Para maior eficácia, é recomendado limpar previamente as áreas afetadas com água e sabão neutro antes da aplicação do produto.
A massagem cuidadosa com escova macia ajuda o contato da solução com a pele do animal. Em casos de sarna otodécica, a limpeza adequada do canal auditivo externo antes da aplicação da medicação é fundamental.
Isolamento do animal infectado
Devido à alta contagiosidade das sarnas em gatos, é essencial isolar o animal doente dos outros pets da casa. Isso previne que a infestação se espalhe, principalmente nos casos de sarna notoédrica e sarcóptica. Mesmo que os outros animais não apresentem sintomas, eles devem receber tratamento preventivo simultaneamente, já que podem estar incubando os parasitas.
Higienização do ambiente e utensílios
Os ácaros podem sobreviver até 21 dias no ambiente, mantendo o risco de reinfestação. Por isso, a limpeza rigorosa é indispensável:
- Lave camas, brinquedos, cobertores e objetos do pet com água quente;
- Higienize frequentemente comedouros e bebedouros;
- Desinfete o ambiente com produtos à base de hipoclorito de sódio (cloro);
- Exponha os objetos ao sol, pois os ácaros são sensíveis ao calor.
Cuidados com a saúde do tutor (zoonoses)
As sarnas sarcóptica e notoédrica são zoonoses, podendo ser transmitidas para humanos. Durante o manuseio dos gatos com sarna, use luvas e roupas que cubram a pele. Lave as mãos e troque de roupa após o contato com o animal infectado. Em caso de sintomas como coceira e erupções cutâneas, procure atendimento médico.
Perguntas frequentes sobre sarna em gatos
A sarna em gatos desperta muitas dúvidas entre tutores, já que seus sinais nem sempre são percebidos de imediato. Reconhecer os sintomas, compreender os riscos e buscar o tratamento adequado são passos essenciais para proteger a saúde e o conforto do seu felino no dia a dia.
Como é feito o diagnóstico da sarna em gatos?
O diagnóstico é realizado principalmente através do exame de raspado de pele, onde o veterinário coleta uma amostra da área afetada para análise microscópica. Em alguns casos, também podem ser realizados exames complementares como citologia auditiva e swab auditivo.
Quais são os sintomas mais comuns da sarna em gatos?
Os sintomas mais frequentes incluem coceira intensa, queda de pelos localizada ou generalizada, feridas, crostas, vermelhidão na pele e mudanças de comportamento como inquietação ou apatia.
Qual é o tratamento recomendado para sarna em gatos?
O tratamento geralmente envolve o uso de antiparasitários prescritos pelo veterinário, que podem ser em forma de pipetas, comprimidos ou injeções. Também podem ser recomendados banhos com shampoos específicos e cuidados com a higiene do ambiente.
A sarna em gatos pode ser transmitida para humanos?
Sim, alguns tipos de sarna felina, como a sarcóptica e a notoédrica, são zoonoses e podem ser transmitidas para humanos. Por isso, é importante tomar precauções ao lidar com gatos infectados.
Quanto tempo dura o tratamento da sarna em gatos?
O tratamento geralmente dura no mínimo 4 semanas, devido ao ciclo de vida dos ácaros. É importante seguir rigorosamente as orientações do veterinário e manter o tratamento pelo tempo recomendado para garantir a eliminação completa dos parasitas.
Considerações finais sobre sarna em gatos
A sarna em gatos é uma enfermidade comum, mas que pode trazer sérios incômodos ao felino se não for tratada corretamente. Identificar os sintomas logo no início e buscar um diagnóstico veterinário especializado garante maior eficácia no tratamento e evita complicações.
Alguns tipos, como a sarna notoédrica e a sarcóptica, podem ser transmitidos a humanos, reforçando a importância de adotar cuidados preventivos e manter a higiene do ambiente. Além disso, cada variação da doença exige protocolos específicos, o que torna a automedicação um risco para a saúde do pet.
Com paciência, consistência no uso dos medicamentos prescritos e medidas de limpeza adequadas, é possível controlar o ciclo dos ácaros e promover a recuperação completa do felino.
Cuidar de forma correta da sarna em gatos é essencial para preservar não apenas a saúde do animal, mas também o bem-estar de toda a família.







