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O osteossarcoma em cães é um dos tumores malignos mais comuns e a principal neoplasia de origem óssea nestes animais. Este tipo agressivo de câncer ósseo representa cerca de 80% a 95% das neoplasias ósseas caninas, afetando principalmente animais de grande porte e idade avançada.
Na maioria dos casos, o osteossarcoma canino acomete cachorros grandes e médios, com mais de 25 quilos e acima dos cinco anos. Dentre as raças mais suscetíveis estão Rottweiler, São Bernardo, Doberman, Pastor Alemão, Labrador Retriever, Golden Retriever e Boxer. Além disso, este tumor maligno é responsável por aproximadamente 85% dos tumores ósseos primários em cães, sendo extremamente agressivo e com alta capacidade de metástase.
O prognóstico do osteossarcoma em cães é desafiador, com taxa de sobrevida de três a seis meses quando realizada apenas cirurgia, podendo estender-se por um ano e meio quando associada à quimioterapia. De fato, estima-se que apenas 15% dos cães sobrevivem à doença, mesmo com tratamento adequado.
Portanto, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com oncologista veterinário especializado são fundamentais para aumentar as chances de sucesso no tratamento desta condição.
O que é o osteossarcoma em cães?

As neoplasias ósseas representam cerca de 3 a 4% dos tumores malignos em cães, sendo o osteossarcoma canino a forma mais prevalente dessas condições.
Tumor ósseo maligno mais comum em cães
O osteossarcoma em cães é caracterizado como uma neoplasia mesenquimal maligna de células ósseas primitivas que produzem matriz osteóide. Este tumor ósseo representa aproximadamente 80 a 95% de todas as neoplasias ósseas em cães e cerca de 85% dos diagnósticos de malignidades do tecido esquelético.
O osteossarcoma em cães pode afetar tanto o esqueleto apendicular (membros) quanto o axial (crânio, coluna e costelas). Outra característica importante é que os membros torácicos (anteriores) são duas vezes mais acometidos que os pélvicos (posteriores).
Quanto à localização específica, o tumor ocorre mais frequentemente na região metafisária dos ossos longos, seguindo um padrão descrito como “longe do cotovelo e em direção ao joelho”. Assim, as áreas mais comumente afetadas incluem o rádio distal (próximo ao carpo), o úmero proximal (perto do ombro), a tíbia proximal e o fêmur distal.
Raças e portes mais afetados
Embora o osteossarcoma em cães possa acometer animais de qualquer raça ou porte, existe uma clara predisposição para cães de porte médio, grande ou gigante. Principalmente, afeta cachorros com mais de 25 quilos e acima dos cinco anos de idade.
As raças mais suscetíveis incluem:
- Rottweiler (27 vezes mais propensos que cães sem raça definida);
- Dogue Alemão (34 vezes mais propensos);
- Leonberger;
- Pastor Alemão;
- Labrador Retriever;
- Golden Retriever;
- Doberman;
- São Bernardo.
Por outro lado, raças como Cocker Spaniel Inglês, Shih Tzus e Jack Russell Terriers apresentam risco relativamente baixo. Estudos demonstram que menos de 5% dos casos de osteossarcoma surgem em cães com menos de 15 quilos.
A idade também é um fator relevante, com maior incidência em cães adultos e idosos. A idade média no momento do diagnóstico é de 9,64 anos, conforme estudos realizados. Alguns autores descrevem uma apresentação bimodal com um pico menor aos 18-24 meses e outro maior aos 7-9 anos de idade.
Comportamento agressivo e metastático
O osteossarcoma em cães caracteriza-se por ser localmente invasivo e potencialmente metastático. Esse comportamento agressivo é responsável pelo prognóstico desfavorável na maioria dos casos.
Um dado alarmante mostra que, embora menos de 15% dos cães apresentem evidência radiológica de metástase pulmonar no momento do diagnóstico, aproximadamente 90% morrem em menos de um ano por doença metastática pulmonar, conforme descrito em estudos clínicos internacionais publicados na U.S. National Library of Medicine, que também abordam os desafios no controle da progressão tumoral e o papel de terapias adjuvantes.
A agressividade deste tumor é manifestada por sintomas como dor intensa, causada por microfraturas ou pela afeção do periósteo devido à osteólise do córtex ósseo. Além disso, seu rápido crescimento e capacidade de invasão dos tecidos adjacentes tornam o diagnóstico precoce essencial para melhores chances de tratamento.
As micrometástases subclínicas podem estar presentes desde o início da doença, o que significa que, mesmo quando o diagnóstico é feito, o câncer já pode ter se espalhado para outras partes do corpo em nível microscópico, dificultando ainda mais o tratamento eficaz.
Principais sintomas do osteossarcoma em cães

Identificar rapidamente os sintomas do osteossarcoma em cães é fundamental para o diagnóstico precoce desta doença. Reconhecer estas manifestações clínicas pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do seu animal de estimação.
Claudicação e dor persistente
A claudicação é geralmente o primeiro sinal clínico percebido pelos tutores de cães com osteossarcoma. Esta manifestação pode ser aguda ou crônica, fazendo com que o animal apresente dificuldade para apoiar o membro afetado. A dor é causada por microfraturas ou pela interrupção do periósteo, provocada pela osteólise do osso cortical e pela extensão tumoral no canal medular.
Um aspecto característico dessa claudicação é sua persistência. Diferentemente de lesões comuns, o mancar causado pelo osteossarcoma em cães não melhora com repouso e, frequentemente, não responde adequadamente aos analgésicos. Inicialmente, a claudicação pode ser intermitente, mas com o crescimento do tumor, torna-se mais constante e severa.
Em casos mais graves, o animal pode relutar completamente em apoiar o membro, mantendo-o em posição de “pinça”. Alguns tutores relatam que o início da claudicação está associado a algum trauma recente, embora este seja apenas um fator desencadeante da percepção do problema, não sua causa.
Inchaço e aumento de volume no membro
O aumento de volume na região afetada é outro sinal clássico do osteossarcoma em cães Este inchaço é geralmente firme à palpação e doloroso quando tocado. A tumefação ocorre devido à mineralização dos tecidos moles adjacentes ao tumor.
Estas alterações são mais comumente observadas nas extremidades distais do rádio e da ulna, bem como nas extremidades proximais do fêmur, tíbia e úmero. A massa tumoral apresenta consistência firme e, em alguns casos, calor local. Esta característica permite distinguir o osteossarcoma de outros problemas ortopédicos menos graves.
Ademais, em estágios avançados, o osso afetado pode se tornar tão frágil que fraturas patológicas ocorrem espontaneamente ou com mínimo trauma. Estas fraturas são extremamente dolorosas e agravam significativamente o quadro clínico do animal.
Perda de apetite e peso
Embora os sinais sistêmicos sejam incomuns na fase inicial da doença, com a progressão do osteossarcoma em cães, outros sintomas começam a se manifestar. A dor crônica e intensa provoca alterações comportamentais e fisiológicas importantes, incluindo:
- Perda de apetite (anorexia);
- Redução gradual de peso;
- Irritabilidade e alterações de comportamento;
- Apatia e redução da atividade física;
- Choro frequente, especialmente ao se movimentar.
Estes sintomas são resultantes tanto da dor constante quanto da progressão da doença no organismo do animal. A caquexia (perda extrema de peso e fraqueza) pode ocorrer em casos avançados.
Sinais respiratórios em caso de metástase
O osteossarcoma canino tem alta capacidade metastática, principalmente para os pulmões. Entretanto, os sinais respiratórios como primeira evidência de metástase pulmonar são relativamente raros. Muitos cães com metástases pulmonares confirmadas radiograficamente permanecem assintomáticos por meses.
Quando presentes, os sinais respiratórios em casos avançados podem incluir tosse persistente, dispneia (dificuldade respiratória), perda acentuada de peso e fraqueza generalizada. Estes sintomas indicam que a doença já está em estágio avançado, com prognóstico significativamente desfavorável.
Diagnóstico e exames essenciais da osteossarcoma em cães

Para confirmar a suspeita de osteossarcoma em cães, diversos exames complementares são fundamentais. O diagnóstico definitivo requer uma abordagem combinada de técnicas de imagem e análises de tecido, garantindo precisão no direcionamento do tratamento.
Radiografia e tomografia
O exame raio-x em cães é a base inicial do diagnóstico do osteossarcoma canino, sendo essencial para avaliar a extensão do envolvimento ósseo e diferenciar neoplasias de outras condições não-neoplásicas. Geralmente, realizam-se duas projeções (lateral e craniocaudal) no esqueleto apendicular e três projeções para estudo de metástase pulmonar.
A tomografia computadorizada (TC) oferece imagens com resolução anatômica superior, reduzindo artefatos e detectando alterações mais sutis. Este exame pode identificar nódulos pulmonares de 1 a 2 mm, enquanto radiografias detectam apenas os maiores que 7 mm. Além disso, a TC permite reconstruções tridimensionais do tumor, auxiliando nas decisões sobre possíveis cirurgias.
Biópsia óssea e citologia
A biópsia óssea é de suma importância para o diagnóstico definitivo. Existem duas modalidades principais:
- Biópsia aberta: realizada por incisão da pele, permite obter quantidade ideal de tecido, porém apresenta riscos como infecções, hematomas e fraturas patológicas;
- Biópsia fechada: realizada com auxílio de punch ou trépano, tem alta precisão diagnóstica (93,8%) com menores complicações pós-operatórias.
A citologia aspirativa por agulha fina (PAAF) surge como alternativa menos invasiva e de baixo custo. Entretanto, as células mesenquimais desse tumor são circundadas por matriz intracelular, dificultando sua obtenção. Um estudo demonstrou correlação significativa entre o diagnóstico citológico e histopatológico em 94,1% dos casos.
Exames laboratoriais complementares
O hemograma completo, perfil bioquímico e exame de urina em cães são essenciais para avaliar a saúde geral do animal e influenciar as recomendações de tratamento. Um achado importante é o aumento acentuado da fosfatase alcalina sérica, considerado um fator prognóstico negativo.
Aproximadamente 25% das metástases pulmonares não são detectáveis em radiografias iniciais, portanto, o acompanhamento periódico com exames de imagem é fundamental. A ultrassonografia também pode ajudar no estadiamento tumoral, visualizando focos de metástase na cavidade abdominal.
Importância do oncologista veterinário
O oncologista veterinário é fundamental para o diagnóstico e tratamento do osteossarcoma em cães. Este especialista utiliza métodos variados como exames físicos detalhados, imagens e biópsias para identificar o tipo de câncer e sua localização.
Na Gold Lab Vet, nossos oncologistas veterinários desenvolvem planos de tratamento individualizados considerando a saúde geral do animal, o tipo e estadiamento do câncer. Com unidades na Zona Leste (Tatuapé) e Zona Sul (Jabaquara) de São Paulo, oferecemos estrutura completa para diagnóstico preciso, essencial para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
Tratamentos para osteossarcoma em cães

O tratamento do osteossarcoma em cães visa controlar a dor, remover o tumor e prevenir metástases. Múltiplas abordagens terapêuticas são geralmente combinadas para oferecer a melhor qualidade de vida possível ao paciente.
Cirurgia de amputação ou salvamento de membro
A amputação do membro afetado é considerada o tratamento padrão para o osteossarcoma canino apendicular. Surpreendentemente, mesmo cães de raças grandes e gigantes adaptam-se bem após a cirurgia, com mobilidade e qualidade de vida satisfatórias. Entretanto, a presença de doença articular degenerativa prévia pode contraindicar este procedimento.
Alternativamente, a cirurgia de preservação do membro pode ser considerada em casos específicos. Esta técnica é mais indicada para tumores localizados no rádio ou cúbito distal, sem doença macroscópica evidente em outras localizações e com tamanho inferior a 50% do tamanho do rádio.
Quimioterapia para controle de metástases
A quimioterapia aumenta significativamente a sobrevida dos animais afetados. Os protocolos mais utilizados incluem:
- Carboplatina administrada a cada três semanas;
- Doxorrubicina também em intervalos de três semanas;
- Toceranib como opção em casos de doença metastática.
Estudos demonstram que o tratamento com carboplatina pode oferecer sobrevida média de 479 dias, valor superior aos demais protocolos. Ensaios clínicos recentes da NC State University reforçam a importância de protocolos combinados para estender a sobrevida e minimizar o avanço metastático em casos de osteossarcoma canino.
Radioterapia como tratamento paliativo
A radioterapia hipofracionada ou paliativa é considerada o método mais eficaz para controle rápido da dor, além de retardar a progressão da doença. Quando disponível, este tratamento tem efeito analgésico potente, especialmente em casos onde a cirurgia não é possível.
O procedimento geralmente é realizado com o animal sedado, durando apenas alguns minutos por sessão. Esta modalidade pode ser aplicada isoladamente ou em combinação com outras formas de tratamento.
Fisioterapia e acupuntura como suporte
Técnicas como esteira aquática, exercícios de alongamento e massagem terapêutica são essenciais para manter o conforto e bem-estar do animal. A fisioterapia veterinária auxilia na adaptação após amputação e na melhoria da mobilidade.
A acupuntura complementa o tratamento convencional, ajudando no controle da dor e minimizando os efeitos colaterais da quimioterapia.
Cuidados após o tratamento osteossarcoma em cães

Os cuidados pós-tratamento para o osteossarcoma em cães são tão importantes quanto o próprio tratamento. Eles garantem melhor qualidade de vida e maior tempo de sobrevida para seu companheiro de quatro patas.
Adaptação do cão após amputação
A maioria dos cães, inclusive de raças grandes e gigantes, consegue se adaptar bem após a amputação. Surpreendentemente, 97% dos animais apresentam bom retorno à função locomotora. A adaptação ocorre geralmente no primeiro mês após a cirurgia, independentemente do peso do animal.
No período inicial pós-operatório, é possível observar a formação de seromas, que devem ser drenados para evitar infecções. Além disso, o controle de peso torna-se fundamental para não sobrecarregar os membros remanescentes. Animais com sobrepeso enfrentam maiores dificuldades de adaptação, sendo que o escore de condição corporal está negativamente correlacionado com a qualidade de vida pós-cirúrgica.
Controle de dor e mobilidade
O manejo da dor é primordial durante todo o tratamento. A dor no osteossarcoma canino é causada pela descontinuidade do periósteo, microfraturas patológicas e liberação de citocinas pelas células tumorais.
A fisioterapia veterinária desempenha papel crucial como tratamento paliativo, ajudando a melhorar a mobilidade e força muscular. Técnicas como esteira aquática, alongamentos e massagem terapêutica são amplamente utilizadas. A acupuntura veterinária também complementa o tratamento convencional no controle da dor.
Dúvidas frequentes sobre osteossarcoma em cães
O osteossarcoma em cães é uma doença grave e desafiadora, que costuma gerar muitas dúvidas entre os tutores. Reconhecer os sintomas, entender os riscos e saber como agir pode fazer toda a diferença na qualidade de vida e no tempo de resposta do seu pet.
Quais são os principais sintomas do osteossarcoma em cães?
Os principais sintomas incluem claudicação persistente, dor intensa, inchaço no membro afetado, perda de apetite e peso. Em casos avançados, podem surgir sinais respiratórios devido a metástases pulmonares.
Como é feito o diagnóstico do osteossarcoma em cães?
O diagnóstico envolve exames de imagem como radiografias e tomografia computadorizada, além de biópsia óssea ou citologia. Exames laboratoriais complementares também são realizados para avaliar a saúde geral do animal.
Quais são as opções de tratamento para o osteossarcoma em cães?
As principais opções de tratamento incluem cirurgia (amputação ou preservação do membro), quimioterapia para controle de metástases, radioterapia paliativa e terapias de suporte como fisioterapia e acupuntura.
Quais raças de cães têm maior risco de desenvolver osteossarcoma?
Cães de grande porte e gigantes têm maior predisposição, especialmente raças como Rottweiler, São Bernardo, Doberman, Pastor Alemão, Labrador Retriever, Golden Retriever e Boxer.
Qual é a importância do acompanhamento pós-tratamento para cães com osteossarcoma?
O acompanhamento regular com oncologista veterinário é crucial para monitorar a resposta ao tratamento, ajustar terapias conforme necessário e detectar precocemente possíveis metástases através de exames de imagem periódicos.
Considerações finais sobre o osteossarcoma em cães
Diagnosticar e tratar o osteossarcoma em cães requer atenção rápida e cuidados especializados. Certamente, quanto mais cedo você perceber os sinais da doença, maiores serão as chances de proporcionar qualidade de vida ao seu animal de estimação. Além disso, o acompanhamento regular com um oncologista veterinário torna-se fundamental para monitorar a evolução da condição e ajustar o tratamento conforme necessário.
Embora o prognóstico do osteossarcoma canino seja desafiador, as opções terapêuticas modernas podem proporcionar alívio significativo e prolongar o bem-estar do seu pet. A combinação de cirurgia, quimioterapia e cuidados paliativos representa a abordagem mais completa para enfrentar esta doença agressiva.
O apoio emocional ao seu cão durante todo o processo de tratamento também desempenha papel crucial na sua recuperação. Portanto, seu carinho e atenção, aliados aos cuidados médicos adequados, ajudarão seu companheiro a enfrentar este momento difícil com mais conforto. O diagnóstico precoce, seguido de tratamento adequado, pode fazer toda diferença na jornada contra o osteossarcoma em cães.
Você não precisa enfrentar esse desafio sozinho busque orientação especializada e proporcione ao seu amigo de quatro patas o cuidado que ele merece neste momento tão delicado.







