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A doença periodontal em cães é uma das condições mais comuns e preocupantes que afetam a saúde bucal dos nossos companheiros de quatro patas. Essa enfermidade atinge principalmente cães adultos e idosos, sendo extremamente frequente ao longo da vida do animal.
Trata-se de uma afecção inflamatória crônica que compromete os tecidos de suporte dos dentes, como a gengiva, o osso alveolar e o ligamento periodontal. À medida que a doença evolui, ocorre a destruição progressiva dessas estruturas, levando à perda dentária e, em casos mais graves, a complicações sistêmicas, com impactos no coração, nos rins e no fígado.
A origem da doença periodontal em cães está geralmente associada à má higiene bucal, à alimentação inadequada e a condições odontológicas pré-existentes. Fatores anatômicos e imunológicos também podem contribuir para sua instalação e progressão.
Diante disso, é essencial compreender as causas da doença, identificar os sinais clínicos e buscar atendimento especializado o quanto antes, já que essa condição tende a avançar com a idade e comprometer a qualidade de vida do animal.
O que é a doença periodontal em cães?

A doença periodontal em cães é uma afecção inflamatória de caráter crônico que ataca os tecidos que circundam e sustentam os dentes, conhecidos coletivamente como periodonto. Estas estruturas incluem a gengiva, o osso alveolar, o cemento e o ligamento periodontal.
O periodonto funciona como um sistema de suporte que mantém os dentes firmemente ancorados na boca do seu cachorro. Quando a doença se instala, ocorre uma progressiva destruição desses tecidos, o que pode resultar não apenas na perda dos dentes, mas também em complicações sistêmicas mais sérias, como problemas cardíacos, renais e hepáticos.
A causa principal da doença periodontal em cães é o acúmulo de placa bacteriana e subsequente formação de cálculo dentário (tártaro em cachorro) na superfície dos dentes. Esta placa, composta por bactérias, constitui a raiz do problema que gradualmente compromete a integridade do periodonto.
Por que é tão comum em cães
A doença periodontal em cães afeta entre 80% e 90% dos cães com mais de três anos apresentam algum grau de doença periodontal, com maior incidência em raças pequenas ou toy, como demonstrado pelo levantamento do Riney Canine Health Center da Universidade de Cornell.
Os cães de raças pequenas e braquicefálicos (de focinho curto) têm maior predisposição ao desenvolvimento da doença. Isso ocorre porque essas raças frequentemente apresentam apinhamento dentário, respiração bucal e má oclusão, que facilitam o acúmulo de placa bacteriana.
Além disso, fatores como dieta inadequada, diminuição da salivação, anomalias dentais e queda da imunidade contribuem significativamente para o desenvolvimento da condição.
É importante notar que rações úmidas e dietas caseiras tendem a acumular maior quantidade de placa bacteriana por não possuírem ação abrasiva nos dentes.
Diferença entre gengivite e periodontite
A doença periodontal em cães evolui em estágios bem definidos, começando pela gengivite e podendo progredir para a periodontite. Compreender essa progressão é essencial para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.
A gengivite é o estágio inicial, caracterizado por uma inflamação limitada ao tecido gengival. Nessa fase, a gengiva apresenta-se vermelha, inchada e pode sangrar com facilidade. A boa notícia é que a gengivite é totalmente reversível com o tratamento adequado, desde que a placa bacteriana seja removida da superfície dos dentes.
Já na periodontite, a inflamação ultrapassa a gengiva, atingindo o ligamento periodontal, o cemento e o osso alveolar. Isso leva à destruição dos tecidos de sustentação, à formação de bolsas periodontais e à mobilidade dos dentes.
A periodontite é classificada em diferentes graus de gravidade: leve, moderada e avançada — conforme a extensão da perda dos tecidos de suporte. Em casos mais severos, pode haver perda de mais de 50% do osso alveolar, provocando mobilidade dentária acentuada e, eventualmente, a queda dos dentes.
Principais causas da doença periodontal em cães

Para entender a doença periodontal em cães, é fundamental conhecer suas causas e os fatores que aumentam o risco de desenvolvimento desta condição. Diversos elementos contribuem para o surgimento e progressão desta doença que afeta tantos animais de estimação.
Placa bacteriana e biofilme dentário
O principal vilão por trás da doença periodontal em cães é a placa bacteriana, que se forma naturalmente na superfície dos dentes. Este biofilme começa a se desenvolver em apenas 24 a 48 horas após a limpeza dentária. A placa é composta por uma película aderente constituída por bactérias que se formam constantemente sobre os dentes e gengivas dos cães.
A formação do biofilme dentário inicia-se logo após a erupção dos dentes. Estes ficam envolvidos pelo fluido biológico da cavidade oral, que contém mais de 400 espécies de bactérias. Em poucos minutos, forma-se uma película na superfície dos dentes composta por glicoproteínas salivares, polipeptídeos e lipídios.
Com o tempo, as bactérias aeróbias dão lugar a um ambiente com maior proporção de bactérias anaeróbias, aumentando de 25% em animais saudáveis para 95% em animais com doença periodontal. Essas bactérias liberam substâncias que agridem os tecidos periodontais, iniciando o processo inflamatório.
Raças predispostas e características anatômicas
Algumas raças apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da doença periodontal em cães. Cães de pequeno porte como Shih Tzu, Yorkshire e Poodle são particularmente suscetíveis.
Além disso, cães braquicefálicos (de focinho curto) apresentam cerca de 1,25 vezes mais probabilidade de desenvolver doenças como a periodontite. Essa predisposição está relacionada a características anatômicas como apinhamento dentário, má oclusão, espaço interdental reduzido e menor suporte ósseo, segundo estudos publicados em Wiley Online Library.
Estas características dificultam a remoção natural de sujidades através da movimentação dos lábios, língua e mastigação, favorecendo o acúmulo de placa bacteriana.
Influência da idade, dieta e imunidade
A idade é um fator determinante na progressão da doença periodontal em cães. Aproximadamente 85% dos cães acima de um ano de idade já apresentam alguma classificação da doença. Estudos demonstraram diferença significativa entre cães adultos e idosos quanto ao grau da doença, com animais idosos apresentando formas mais graves.
A dieta também exerce influência considerável, quanto menos exercício mastigatório o animal fizer, como no caso de alimentos úmidos, pastosos ou alimentação caseira, maior será o acúmulo de placa bacteriana. Isto ocorre porque os alimentos mais macios causam menos atrito na superfície dos dentes, não promovendo a limpeza natural.
Além disso, o estado imunológico do animal influencia diretamente o desenvolvimento da doença. Debilidade, tensão psicológica ou fisiológica, afecções sistêmicas como uremia e hepatite, e imunossupressão são fatores que contribuem significativamente.
Cálculo dentário e má oclusão
O cálculo dentário, ou tártaro, é formado pela calcificação da placa bacteriana. Quando a placa não é removida, os minerais presentes na saliva (como carbonato de cálcio e fosfato de cálcio) vão se acumulando e calcificando a placa, formando o cálculo dentário.
A má oclusão dentária ocorre quando há um alinhamento incorreto dos dentes. Pode ser de origem genética (como braquignatismo e prognatismo), nutricional (deficiências minerais e vitamínicas) ou adquirida por traumas. Estas alterações favorecem o acúmulo de placa bacteriana e a progressão da doença periodontal.
No Gold Lab Vet, realizamos avaliações odontológicas completas em nossas unidades do Tatuapé e Jabaquara em São Paulo, diagnosticando precocemente estes fatores de risco para evitar o avanço da doença periodontal em cães.
Sintomas e estágios da doença periodontal em cães

Reconhecer os sinais da doença periodontal em cães é essencial para garantir o diagnóstico precoce e evitar complicações graves. A progressão desta condição segue um padrão característico que pode ser identificado através de sintomas específicos.
Sinais iniciais: mau hálito, gengiva vermelha
Inicialmente, o mau hálito (halitose) é frequentemente o primeiro sinal perceptível pelos tutores. Este odor desagradável resulta da putrefação dos tecidos e fermentação bacteriana no sulco ou bolsa periodontal, que libera compostos sulfurosos. Embora muitos tutores considerem o “bafinho de cachorro” algo normal, na verdade este pode ser o primeiro sintoma de problemas na cavidade oral.
Além disso, a gengiva vermelha e inchada (gengivite) indica inflamação causada pelo acúmulo de placa bacteriana. Nesta fase inicial, a gengiva pode sangrar facilmente durante a mastigação ou escovação. Outros sinais precoces incluem salivação excessiva, devido ao desconforto na região periodontal, e leve sensibilidade na área bucal.
Sinais avançados: dor, perda de dentes
Quando a doença periodontal em cães avança, os sintomas tornam-se mais graves e perceptíveis. O animal pode apresentar dificuldade para mastigar, queda no apetite e, como consequência, perda de peso. A dor se intensifica, fazendo com que o cão prefira alimentos macios ou coma apenas de um lado da boca.
Nessa fase, é comum observar comportamentos como esfregar o focinho no chão ou nas patas, balançar a cabeça com frequência e coçar a boca com as patas. A mobilidade dentária aumenta significativamente, podendo levar à perda de dentes.
De fato, as doenças periodontais são a principal causa de perda dentária em cães adultos, afetando os tecidos que sustentam os dentes. Em quadros mais graves, as bactérias podem atingir a corrente sanguínea e causar infecções em órgãos vitais, como coração, rins e fígado.
Classificação em 4 estágios clínicos
A doença periodontal em cães é classificada em quatro estágios distintos de acordo com sua gravidade:
- Estágio 1: apresenta apenas gengivite, com leve vermelhidão e inchaço na gengiva. O problema é completamente reversível e o tártaro pode não ser visível a olho nu;
- Estágio 2: caracteriza-se por pequenas separações entre a gengiva e os dentes, com tártaro visível e mau hálito perceptível. Nesta fase, já há perda inicial da massa do dente, detectável em radiografias;
- Estágio 3: neste estágio, ocorrem lesões mais sérias nos dentes e ossos, com gengivas que sangram facilmente e dor significativa. Alguns dentes afetados precisam ser removidos;
- Estágio 4: o estágio mais avançado apresenta perda severa de dentes e ossos, dores intensas e alto risco de infecções sistêmicas, pois as bactérias podem entrar na corrente sanguínea.
No Gold Lab Vet, tanto na unidade Tatuapé quanto Jabaquara, realizamos diagnóstico detalhado para identificar o estágio exato da doença periodontal no seu cão, permitindo uma intervenção precisa e eficaz.
Diagnóstico da doença periodontal em cães

O diagnóstico correto da doença periodontal em cães exige uma combinação de técnicas e procedimentos específicos realizados por profissionais capacitados.
Avaliação clínica da cavidade oral
A avaliação inicial começa com uma anamnese detalhada, onde o veterinário coleta informações sobre a saúde geral do animal e possíveis sintomas bucais.
Durante o exame inicial, o profissional avalia visualmente a presença de cálculos dentários, alterações na coloração da mucosa e mobilidade dentária. No entanto, para uma avaliação completa e confortável, seu cachorro precisará ser anestesiado.
Radiografias e sondagem periodontal
A raio-x intraoral em cães é considerada obrigatória e complementar ao exame clínico, pois permite avaliar estruturas não visíveis a olho nu. Este método é mais sensível na detecção de alterações periodontais e elimina sobreposições de estruturas.
A sondagem periodontal é realizada com instrumento específico inserido no sulco gengival para medir sua profundidade. Em cães saudáveis, essa medida deve ser inferior a três milímetros.
Exames laboratoriais complementares
Exame como hemograma e exames laboratoriais das funções do animal são fundamentais para um diagnóstico correto. Em casos onde há suspeita de infecção sistêmica, exame de cultura pode ser solicitada.
Importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce da doença periodontal em cães é essencial para prevenir complicações graves. Por meio dele, o odontologista veterinário pode identificar problemas nos estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz.
No Gold Lab Vet, tanto na unidade Tatuapé quanto Jabaquara, realizamos avaliações odontológicas completas, garantindo diagnóstico preciso da doença periodontal no seu animal.
Tratamentos odontológicos na doença periodontal em cães

O tratamento eficaz da doença periodontal em cães exige intervenções específicas realizadas por profissionais qualificados. Vamos conhecer as principais abordagens terapêuticas para recuperar a saúde bucal do seu pet.
Limpeza dentária sob anestesia
A tartarectomia (remoção do tártaro) deve ser realizada exclusivamente sob anestesia geral. Este procedimento inclui ultrassom odontológico para quebrar o cálculo, raspagem supra e subgengival, e polimento para alisar a superfície dos dentes. Importante ressaltar que não existem medicamentos ou alimentos que substituam este tratamento. Procedimentos sem anestesia são contraindicados pelos principais órgãos de odontologia veterinária.
Uso de antibióticos e anti-inflamatórios
Os antibióticos não são indicados para tratar a doença periodontal em cães diretamente, mas para controlar infecções secundárias. São recomendados em casos específicos: pacientes imunossuprimidos, com doenças sistêmicas ou quando há risco de bacteremia. Após a limpeza, anti-inflamatórios podem ser prescritos para reduzir o desconforto.
Extração dentária em casos graves
Em casos avançados, a extração dentária torna-se necessária. As principais indicações são: mobilidade dentária superior a 2mm, bolsas periodontais profundas, perda óssea severa e focos de infecção. Cães de pequeno porte e raças braquicefálicas apresentam as maiores taxas de extração.
Cuidados pós-tratamento e acompanhamento
Após o procedimento, recomenda-se oferecer alimentos macios por 10 a 15 dias. A escovação diária com pasta específica para animais é fundamental para manter a saúde bucal. Consultas periódicas para avaliação são igualmente importantes.
Importância da odontologia veterinária especializada
A odontologia veterinária é essencial para diagnóstico e tratamento adequados. No Gold Lab Vet, tanto na unidade Tatuapé quanto Jabaquara, contamos com profissionais capacitados para realizar esses procedimentos com segurança e eficácia.
Duvidas frequentes sobre doença periodontal em cães
A doença periodontal em cães é uma condição silenciosa, mas perigosa, que gera muitas dúvidas entre os tutores. Entender seus sinais, formas de prevenção e tratamentos disponíveis é essencial para garantir mais saúde, conforto e qualidade de vida ao seu pet.
Como posso prevenir a doença periodontal no meu cão?
A prevenção inclui escovação diária dos dentes com pasta específica para cães, alimentação adequada e consultas regulares ao veterinário para avaliação da saúde bucal.
Quais são os primeiros sinais da doença periodontal em cães?
Os sinais iniciais incluem mau hálito, gengivas avermelhadas e inchadas, e possível sangramento durante a mastigação ou escovação dos dentes.
Com que frequência devo levar meu cão ao veterinário para avaliação dentária?
Recomenda-se levar o cão para avaliação dentária pelo menos uma vez por ano, ou com maior frequência se o animal for de raça predisposta ou apresentar sinais de problemas bucais.
O que acontece durante uma limpeza dentária profissional em cães?
A limpeza profissional é realizada sob anestesia geral e inclui remoção do tártaro com ultrassom, raspagem supra e subgengival, e polimento dos dentes. Em casos graves, pode ser necessária a extração de dentes comprometidos.
A doença periodontal pode afetar a saúde geral do meu cão?
Sim, em casos avançados, as bactérias da boca podem entrar na corrente sanguínea e afetar órgãos vitais como coração, rins e fígado, causando problemas de saúde mais sérios.
Considerações finais sobre doença periodontal em cães
A doença periodontal em cães representa um desafio significativo para a saúde bucal dos nossos amigos de quatro patas. Essa condição afeta entre 80% e 90% dos cães, especialmente aqueles com mais de quatro anos de idade.
Os quatro estágios da doença periodontal demonstram claramente como essa enfermidade pode progredir de uma simples gengivite até quadros severos, com perda dentária e infecções sistêmicas. Por isso, reconhecer os primeiros sinais, como mau hálito e gengivas avermelhadas, permite uma ação rápida que pode evitar danos permanentes.
Sem dúvida, a prevenção começa em casa, com escovação regular e alimentação adequada. No entanto, essas medidas não substituem o acompanhamento veterinário profissional. O diagnóstico precoce possibilita intervenções menos invasivas e resultados mais eficazes no controle da doença.
Problemas dentários identificados nas fases iniciais apresentam tratamento mais simples e têm melhor prognóstico. A saúde bucal influencia diretamente na qualidade de vida e na longevidade do seu melhor amigo.







